Laboratório da Ufes investiga presença de microplásticos na Ilha da Trindade

03/04/2025 - 19:16  •  Atualizado 03/04/2025 19:20
Texto: Sueli de Freitas, com a colaboração de Adriana Damasceno     Edição: Thereza Marinho
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Foto aérea da Ilha de Trindade

A equipe do Laboratório de Biologia Costeira e Análise de Microplástico (LaBCAM) da Ufes, integrado ao Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Metodologias para Análise de Petróleos (LabPetro), ambos vinculados ao Departamento de Química, vai investigar a presença de microplásticos na Ilha da Trindade, localizada no Oceano Atlântico, a aproximadamente de 1.200 km de Vitória. A primeira viagem para Trindade está prevista para setembro.

A bióloga do LaBCAM e coordenadora do projeto, Mercia Barcellos, explica que a proposta é “investigar e analisar a extensão da presença de microplásticos na Ilha da Trindade e compreender a dinâmica de distribuição dessas partículas no ambiente marinho, em uma abordagem multidisciplinar por meio do estudo de diversas matrizes ambientais como a biota, o sedimento e a água de regiões entre marés na ilha”.

“Além disso”, continua ela, “vamos avaliar a qualidade do ar na Ilha da Trindade em relação à presença de microplásticos, por meio de uma metodologia de amostragem passiva usando teias de aranha”. As teias captam as partículas do microplásticos na atmosfera para posterior análise de tipos e quantidade de resíduos que chegam à ilha.

Um dos cinco bolsistas do projeto, o biólogo João Marcos Schuab afirma que já existem estudos que mostram a presença de microplásticos na Ilha da Trindade, mas o objetivo dessa pesquisa é ir além. “Vamos investigar a presença de microplástico em diferentes matrizes: no sedimento da praia, na água, em alguns organismos marinhos e no ar, para saber se as partículas que o vento leva estão chegando à ilha. Se isso ocorrer, é muito preocupante, pois mostra que as partículas podem viajar longas distâncias”, destaca.

Sensibilização

Outra frente de trabalho será a divulgação dos dados obtidos, “não só na forma de publicações científicas, mas também por meio da produção de material gráfico e visual a ser disponibilizado em redes sociais e eventos públicos ou privados de divulgação científica, na tentativa de sensibilização da população acerca da poluição por lixo plástico no ambiente marinho”, conta Mercia Barcellos.

A pesquisadora destaca que o projeto está em consonância aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030: “Trará impacto principalmente para o ODS 14, que trata da vida no mar, sua conservação e contribuição para o uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos com vistas ao desenvolvimento sustentável”.

Financiamento

O projeto foi aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na chamada 17/2024 – Programa Arquipélago e Ilhas Oceânicas, e receberá um financiamento da ordem de R$ 289.450,00. O projeto também tem o apoio logístico da Marinha do Brasil, que fará o transporte da equipe para a Ilha.

A Ufes atua como instituição executora, ficando o LaBCAM responsável pelas coletas em Trindade e pelo processamento das amostras. O desenvolvimento do projeto conta também com as parcerias da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), responsável pelo plano de divulgação dos resultados, e da Universidade de Quebec à Rimouski, no Canadá, responsável pela análise dos polímeros.

O que são microplásticos?

Os microplásticos são partículas menores que 0,5 milímetros. Pesquisas sobre o tema mostram que eles estão por toda parte, inclusive no corpo humano (em placentas, sêmen e cérebro, por exemplo) causando problemas de saúde. 

Foto: Marinha do Brasil

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